Magnólia Café

Magnólia Café é um café virtual. Um espaço criado pra expor idéias, discutí-las, reunir familía, amigos, desconhecidos... Para entender melhor use alguns minutos de seu tempo e de uma olhada no primeiro post - Big Opening Today...e depois disso, divirta-se! A gerência.

Friday, April 30, 2010

Sobre Por que e Porque


Toda vez depois que acontece eu me pergunto: “Por que mesmo que eu ainda falo com ele?” Por muito tempo eu não tive coragem de contar para as pessoas que nós ainda nos falávamos. Eu tinha medo das reações, eu sentia vergonha só de imaginar o que iriam pensar de mim por conta disso. Burra, né? Ainda assim, mesmo morando fora do país po quase seis anos já, de um jeito ou de outro nós mativemos contato.

No começo era a minha fraqueza mesmo. Ainda pensando que ele era o único ser humano que me conhecia/entendia de verdade, e que ninguém jamais conseguiria me conhecer/entender como ele. Depois disso, passou a ser saudade de casa, saudade de tudo e todos, saudade da vida que eu vivia antes de mudar. Como ficamos juntos (indo e vindo) por quase sete anos, muitas das vezes em que eu sentia saudade de casa, quase que automaticamente sentia saudade dele. Confesso que levou um bom tempo pra re-aprender a ir ao cinema sozinha....fazer o que?!

Mas o tempo foi passando e eu fui achando normal fazer frio em dezembro. Acostumando com a idéia de que verão é o mesmo que julho, agosto e setembro. Entendendo que um sanduíche de manteiga de amendoim com geléia era algo que eu tinha desejo de comer e não a combinação de ingredientes mais bizarra da face da terra, foi quando alguma coisa mudou. Eu não tinha mais desculpas. Eu nao tinha uma resposta concreta  “por que diabos eu ainda falo com ele?”

Tudo bem que ele é (era?) inteligente, talentoso, interessante; mas de um jeito ou de outro a conversa sempre ia de agradável, a mal, a pior. E de pior? De pior virava ferida num piscar de olhos. Talvez fosse o mártir em mim. Talvez fosse o bichinho curioso em mim. Quem sabe uma versão da Madre Teresa de Calcutá vinda de um universo paralelo. Mas o mais provável mesmo é que fosse o pequeno masoquista que vive entre os trincos e fissuras do meu coração...

Do que eu estava falando mesmo? Isso, “por que mesmo que eu ainda falo com ele?” Aconteceu semana passada. Conversa vai, conversa vem ... de agradável a mal e a mesma ladainha de sempre. Fechei a janela da conversa, desliguei o computador e .... nada. Zero, nothing, niente, nadica de nada. Foi quando eu descobri que não havia mais vestígios de inflamação, que a minha cicatriz estava completa e pronta pra tocar o terror. Adeus pequeno masoquista vivendo entre os trincos do meu coração, adeus trincos – bom, pelo menos os causados por ele né?! Finalmente consegui minha resposta, finalmente encotrei o meu por que.

Eu ainda falo com ele por que me faz bem ver que eu tô fora, que deu. Tô fora dos joguinhos, do interminável puxa e empurra. Acabou, passou. Não me machuca mais. Não acaba mais com os meus dias, muito menos destrói minhas noites. Depois desse tempo todo me sentindo fraca por deixar as atitudes dele me incomodarem tanto, falar com ele agora melhora e alimenta o meu redescoberto amor próprio. Quanto a isso na verdade eu sou até grata. Eu me sinto inteira novamente e finalmente livre.